A endometriose no intestino representa uma forma de endometriose profunda que, embora menos conhecida, pode gerar sintomas intestinais intensos e cíclicos, especialmente durante a menstruação. De acordo com uma pesquisa realizada pela University of Arkansas for Medical Sciences o envolvimento intestinal ocorre em 5% a 12% das mulheres com endometriose, sendo reto e sigmoide responsáveis por até 90% das lesões.
Muitas mulheres relatam sangramento retal ou dor ao evacuar justamente no período menstrual, interpretando o quadro como “algo normal” ou problema digestivo isolado. Contudo, na realidade, esse sangramento ao ir ao banheiro no período menstrual constitui um sinal de alerta importante para lesões de endometriose infiltrativa que atingem as paredes intestinais.
Neste artigo, você entenderá a relação entre o ciclo menstrual e os sintomas intestinais, o que é a endometriose infiltrativa profunda, o papel essencial do proctologista, os exames de imagem mais precisos, as opções de tratamento e por que o diagnóstico precoce evita complicações graves. Acompanhe esse conteúdo até o final e cuide do seu corpo e do seu bem-estar.
A relação entre o ciclo menstrual e os sintomas intestinais

Os sintomas intestinais da endometriose no intestino não surgem de forma aleatória: eles estão diretamente ligados à ação hormonal do ciclo menstrual. Durante a fase lútea e especialmente na menstruação, os níveis de estrogênio e progesterona estimulam os focos endometriósicos implantados na parede intestinal.
Dois mecanismos principais explicam essa intensificação. Primeiro, a inflamação hormonal provoca liberação de prostaglandinas e citocinas, que aumentam a sensibilidade da musculatura intestinal e geram espasmos.
Segundo, o sangramento cíclico na parede do intestino causa aderências e fibrose, dificultando o trânsito fecal. Estudos confirmam que sintomas como disquezia (dor ao evacuar), constipação alternada com diarreia e sangramento retal cíclico pioram significativamente no período menstrual.
Sangramentos cíclicos ao evacuar não devem ser ignorados. Eles indicam que a endometriose no intestino está ativa e, sem investigação adequada, pode evoluir para estenose intestinal ou obstrução. Reconhecer essa relação é o primeiro passo para evitar anos de sofrimento desnecessário.
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Entendendo a endometriose infiltrativa profunda
A endometriose infiltrativa profunda é definida pela invasão de tecido endometriósico além de 5 mm da superfície peritoneal, atingindo camadas musculares e submucosas de órgãos vizinhos. Quando acomete o intestino, a profundidade da lesão determina a intensidade do sangramento e o risco de complicações.
Essa condição ocorre quando células semelhantes ao endométrio uterino se implantam fora do útero e respondem aos hormônios ovarianos, provocando inflamação e sangramento local.
O intestino grosso, especialmente reto e sigmoide, é acometido em boa parte dos casos de endometriose profunda. O resultado é um ciclo de dor, sangramento e alterações do hábito intestinal que se repetem mês a mês.
Acometimento do reto
O reto é o segmento mais frequentemente afetado pela endometriose no intestino. Lesões infiltram a muscular própria, causando espessamento da parede e redução da luz intestinal. Durante a menstruação, o sangramento local gera disquezia intensa e, em alguns casos, hematochezia visível.
Sigmoide
O sigmoide, localizado logo acima do reto, também é um local comum de infiltração. Nódulos maiores podem provocar constipação crônica ou suboclusão, com piora cíclica. A fibrose resultante dificulta o peristaltismo, ampliando o desconforto abdominal e o risco de obstrução intestinal.
Septo retovaginal
O septo retovaginal, localizado entre vagina e reto, funciona como “ponte” para a disseminação da doença. Lesões aqui geram dor pélvica profunda, dispareunia e, indiretamente, sintomas intestinais por compressão ou infiltração contígua.
A profundidade da lesão determina a gravidade do sangramento. Quanto maior a infiltração na muscular intestinal, maior o risco de sangramento cíclico visível e de necessidade de intervenção cirúrgica.
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O papel crucial do proctologista na equipe multidisciplinar

O diagnóstico e tratamento da endometriose no intestino exigem visão integrada. Por isso, o proctologista, especialista em doenças do intestino grosso, é peça fundamental na equipe multidisciplinar ao lado de ginecologistas, radiologistas e cirurgiões.
Suas principais funções incluem:
- Exame físico especializado: toque retal e anuscopia para identificar nódulos palpáveis ou endurecimento da parede retal.
- Avaliação precisa da infiltração: análise da profundidade e extensão da lesão na muscular e submucosa, diferenciando endometriose de outras causas de sangramento retal.
- Planejamento cirúrgico: definição da técnica mais adequada (shaving, discóide ou ressecção segmentar) para remover a lesão preservando a função intestinal e evitando complicações como fístula ou incontinência.
Na Endometriose Brasília, essa parceria entre ginecologia e proctologia é o padrão de cuidado, garantindo que nenhuma lesão passe despercebida e que o plano terapêutico seja individualizado e seguro para cada tipo de mulher.
Exames de imagem: mapeamento com preparo intestinal
O diagnóstico preciso da endometriose no intestino depende de exames de imagem realizados por profissionais experientes. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é considerada o exame de primeira linha e, por muitos centros de referência, o “padrão ouro” para mapeamento pélvico.
O preparo intestinal (realizado com laxantes osmóticos na véspera) elimina gases e resíduos, permitindo visualização nítida da interface entre intestino e estruturas pélvicas. O exame identifica nódulos hipoeogênicos, mede profundidade de infiltração e avalia comprometimento de reto, sigmoide e septo retovaginal com alta sensibilidade e especificidade quando realizado por sonografistas treinados em endometriose.
Olhos treinados fazem a diferença no laudo. Um mapeamento bem feito evita cirurgias desnecessárias e orienta o cirurgião com precisão milimétrica, reduzindo o risco de complicações.
Opções de tratamento: do clínico ao cirúrgico

O tratamento da endometriose no intestino deve ser individualizado, considerando idade, desejo de fertilidade, intensidade dos sintomas e profundidade das lesões.
Quando as lesões são superficiais ou os sintomas leves, a terapia clínica com progestágenos, contraceptivos combinados ou dispositivos intrauterinos liberadores de levonorgestrel pode controlar a inflamação e reduzir o sangramento cíclico. Esses medicamentos suprimem a atividade hormonal e melhoram a qualidade de vida sem necessidade imediata de cirurgia.
Entretanto, em casos de endometriose infiltrativa profunda com estenose superior a 50% da circunferência intestinal, sangramento recorrente ou risco de obstrução, a remoção cirúrgica das lesões torna-se inevitável.
Técnicas como shaving retal, ressecção discóide ou segmentar, realizadas por equipe multidisciplinar experiente, preservam a função intestinal e aliviam sintomas definitivamente. A individualização do tratamento é o segredo do sucesso: o que funciona para uma paciente pode não ser ideal para outra.
Conclusão: o diagnóstico precoce evita complicações graves
Investigar sangramento retal cíclico durante a menstruação, com especialistas, é fundamental. A endometriose no intestino, quando diagnosticada precocemente por meio de mapeamento com ultrassonografia transvaginal e avaliação proctológica, permite tratamento menos agressivo e preserva a qualidade de vida e a fertilidade.
A saúde intestinal é parte fundamental da saúde ginecológica. Não minimize sangramento ao ir ao banheiro no período menstrual. Agende uma avaliação especializada e recupere o controle do seu corpo e da sua qualidade de vida. Agende a sua consulta agora!