Endometriose tem vários estágios: conheça quais são!

04/02/2026

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Dr. Frederico Corrêa

Os estágios da endometriose são classificados com base na extensão e localização das lesões endometriais, utilizando o sistema revisado da American Society for Reproductive Medicine (ASRM). 

Essa divisão ajuda profissionais de saúde a avaliar a gravidade anatômica da doença, que envolve o crescimento de tecido similar ao endométrio fora do útero, causando inflamação e dor. Embora os estágios da endometriose indiquem o grau de acometimento, eles não se correlacionam diretamente com a intensidade dos sintomas.

Neste artigo, você entenderá cada um dos estágios da endometriose, desmistificando mitos e enfatizando a importância do diagnóstico preciso para um tratamento personalizado. Aproveite o conteúdo e tenha uma excelente leitura.

A classificação da endometriose: o sistema ASRM

A classificação da endometriose pelo sistema ASRM (American Society for Reproductive Medicine) é o padrão global para categorizar os estágios da endometriose, atribuindo pontos com base na localização, profundidade e tamanho das lesões, além de aderências e envolvimento de órgãos. 

Desenvolvida em 1996 e revisada, essa escala varia de 1 a 150 pontos, dividindo a doença em quatro estágios da endometriose: minimal (I), leve (II), moderado (III) e grave (IV). No entanto, a gravidade anatômica nem sempre dita a dor, pois pacientes com lesões mínimas podem sofrer intensamente devido a fatores inflamatórios ou nervosos.

O sistema ASRM foi projetado para padronizar descrições cirúrgicas, facilitando comparações em estudos clínicos. Essa ferramenta é crucial para planejar tratamentos, mas limitações incluem a subestimação de infiltrações profundas, que podem ocorrer em qualquer estágio da endometriose.

Na prática, compreender os estágios da endometriose ajuda pacientes e médicos a alinhar expectativas. Por exemplo, lesões superficiais recebem poucos pontos, enquanto obstruções ovarianas ou intestinais elevam a pontuação. 

Estágio I: minimal

O estágio I, ou minimal, representa o nível inicial dos estágios da endometriose, caracterizado por focos superficiais e pequenos implantes pélvicos, tipicamente com pontuação de 1 a 5 no sistema ASRM. Nessa fase, as lesões são isoladas, afetando principalmente o peritônio ou superfícies ovarianas, sem aderências significativas ou cistos. 

Embora anatomicamente discreto, o estágio I pode causar sintomas como dismenorreia ou fadiga, pois a inflamação local sensibiliza nervos pélvicos, impactando a qualidade de vida mesmo em implantes milimétricos.

Os diagnósticos nesse estágio frequentemente ocorrem durante laparoscopias investigativas para infertilidade ou dor inexplicada. 

Lembrando que mesmo no estágio I da endometriose, a dor pode ser intensa, desproporcional à extensão anatômica, destacando a necessidade de abordagens personalizadas que considerem fatores psicossociais e inflamatórios para alívio efetivo.

Estágio II: leve

O avanço para o estágio II, ou leve, nos estágios da endometriose indica uma progressão moderada, com pontuação de 6 a 15 no ASRM, envolvendo mais focos superficiais e possíveis cicatrizes leves no peritônio. 

Nessa fase, implantes múltiplos surgem em ovários ou ligamentos uterinos, com aderências iniciais que distorcem levemente a anatomia pélvica, potencializando sintomas como dor durante relações sexuais ou evacuações irregulares.

O estágio II pode incluir lesões na vesícula ou apêndice, embora raras, agravando a inflamação. De acordo com uma pesquisa, nessa etapa, a doença afeta a fertilidade em cerca de 20-30% das pacientes, devido a aderências que impedem ovulação normal. Neste estágio, o monitoramento via ultrassom é essencial para detectar a evolução dessa doença.

Pacientes nesse estágio da endometriose frequentemente respondem bem a terapias conservadoras, como progestágenos, mas cirurgias laparoscópicas são consideradas se os sintomas persistem, visando a remoção precisa do endométrio para prevenir agravamentos.

Estágio III: moderado

O estágio III, moderado, marca uma complexidade maior nos estágios da endometriose, com pontuação de 16 a 40 no ASRM, envolvendo lesões profundas, cistos ovarianos e aderências evidentes que alteram a mobilidade pélvica. Essa fase demanda intervenções mais assertivas, pois impactos em fertilidade e dor crônica se intensificam.

  • Presença de endometriomas: cistos nos ovários, conhecidos como “cistos de chocolate”, contêm sangue antigo e podem crescer até 10 cm, causando dor intensa e risco de ruptura.
  • Aderências evidentes: tecidos fibrosos unem órgãos, como útero e intestino, levando a obstruções parciais e sintomas gastrointestinais cíclicos.
  • Envolvimento de tubas uterinas: bloqueios reduzem fertilidade em até 40%, exigindo avaliação reprodutiva.

O estágio III dos estágios da endometriose impacta significativamente a anatomia pélvica, com aderências distorcendo estruturas e agravando inflamação, necessitando de equipes multidisciplinares para manejo integrado.

Estágio IV: grave

O estágio IV, grave, é o mais avançado dos estágios da endometriose, com pontuação acima de 40 no ASRM, caracterizado por aderências firmes, lesões profundas e envolvimento extenso de múltiplos órgãos, como intestino, bexiga e ureteres. 

Nesse nível, o “útero bloqueado” surge de fibrose densa, imobilizando o órgão e causando dor incapacitante, infertilidade e complicações sistêmicas. As lesões infiltram mais de 5 mm em tecidos, formando nódulos que obstruem vias urinárias ou digestivas, levando à hidronefrose ou constipação crônica. 

No estágio IV, a severidade anatômica correlaciona marginalmente com sintomas, mas exige cirurgias complexas para liberação. Assim, os tratamentos envolvem excisão laparoscópica ou robótica para preservar a fertilidade. Além disso, pacientes enfrentam riscos como perfurações orgânicas, demandando monitoramento rigoroso e cirurgias que solucionem esse problema.

A diferença entre Estágio e Endometriose Profunda

A diferença entre estágio e endometriose profunda reside na profundidade de infiltração versus extensão anatômica, com os estágios da endometriose focando em pontuação global, enquanto a profundidade avalia invasão tecidual específica. Essa distinção é crucial para o planejamento terapêutico.

Classificação por estágio

A classificação por estágio, via ASRM, quantifica lesões por pontos, independentemente da profundidade, priorizando localização e aderências. Pode subestimar impactos se infiltrações profundas ocorrerem em áreas pontuadas baixas.

Profundidade da infiltração

A profundidade da infiltração refere-se a lesões acima de 5 mm, comuns em endometriose profunda, afetando órgãos como reto ou vagina, causando dor neuropática. Infiltrações profundas podem ocorrer em estágios iniciais, exigindo imagens avançadas.

Um estágio II dos estágios da endometriose pode apresentar infiltração profunda no intestino, demandando cirurgias especializadas para remoção completa, ilustrando que a profundidade guia intervenções mais que a pontuação isolada.

Sintomas vs. estágios: o grande mito

O grande mito nos estágios da endometriose é a suposta correlação direta entre gravidade anatômica e intensidade sintomática, pois uma paciente em estágio I pode sofrer mais dor que outra em IV devido a fatores como sensibilização nervosa ou respostas imunológicas individuais. 

Essa desmistificação enfatiza que sintomas como dismenorreia ou dispareunia dependem mais de localização lesional que extensão. Existe associação marginal entre estágio e dor, com equipes de especialistas em dor atuando via bloqueios ou terapias cognitivo-comportamentais para “reprogramar” respostas do organismo. 

Assim, o manejo dos estágios da endometriose prioriza alívio sintomático personalizado, integrando analgésicos e suporte psicológico para qualidade de vida além da classificação.

Como o diagnóstico preciso no EBSB define o seu estágio

O diagnóstico preciso no EBSB define os estágios da endometriose através de um arsenal avançado, incluindo ultrassom transvaginal com preparo e ressonância magnética, permitindo mapeamento detalhado antes de intervenções. O papel do ginecologista e radiologista em colaboração garante identificação de lesões sutis, classificando com acurácia via ASRM.

Exames como laparoscopia diagnóstica confirmam pontuações, com radiologistas especializados detectando infiltrações profundas. Essa integração reduz subdiagnósticos, otimizando tratamentos para cada estágio da endometriose.

No EBSB, protocolos padronizados, respaldados por evidências, asseguram que o estágio seja definido com precisão, guiando planos terapêuticos eficazes.

Conclusão: O estágio não define quem você é, mas guia seu tratamento

O estágio não define quem você é, mas guia o tratamento nos estágios da endometriose, permitindo abordagens personalizadas que restauram o bem-estar. Independentemente do nível, a Endometriose Brasília oferece equipe completa para alívio da dor e preservação da fertilidade.Não permita que a dor seja um elemento presente na sua vida! Marque uma consulta no Endometriose Brasília e inicie o tratamento para ter uma melhor qualidade na sua rotina.