Endometriose profunda: como identificar e quais são as opções de tratamento mais eficazes

08/10/2025

.

Dr. Frederico Corrêa

A endometriose profunda é um tema sensível e relevante, pois é uma forma mais agressiva da endometriose, capaz de infiltrar camadas profundas dos tecidos pélvicos e afetar órgãos como intestino, bexiga e ureteres. De acordo com a OMS, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva ao redor do mundo.

No Censo de 2022, as mulheres representam 51,5% da população brasileira. Considerando a prevalência global de endometriose, o número de brasileiras potencialmente afetadas é expressivo, reforçando a importância de reconhecer, precocemente, os sintomas e buscar assistência especializada e os melhores tratamentos para essa doença.

Para te ajudar, neste artigo, vamos entender melhor o que é endometriose profunda, como ela se diferencia das formas mais superficiais, quais são os sintomas que exigem investigação e por que o diagnóstico pode ser desafiador. Aproveite o conteúdo e cuide do seu corpo e da sua saúde, boa leitura.

O que é endometriose profunda e como ela se diferencia da forma comum

A endometriose ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, provocando inflamação crônica, dor e, em alguns casos, infertilidade. Na endometriose profunda, os nódulos invadem pelo menos 5 milímetros abaixo do peritônio, podendo acometer estruturas como septo reto-vaginal, bexiga e ureteres.

De maneira prática, a forma “comum” ou superficial se limita à superfície do peritônio e/ou envolve cistos ovarianos, enquanto a endometriose profunda infiltra tecidos e órgãos, tendendo a causar dor mais intensa e, frequentemente, demanda mapeamento por imagem e planejamento terapêutico multidisciplinar.

Profundidade da infiltração

Na endometriose profunda, os focos ultrapassam 5 milímetros de profundidade a partir da superfície peritoneal. Esse critério é utilizado para diferenciar essa apresentação das lesões superficiais.

Localizações típicas

Os nódulos podem envolver septo reto-vaginal, ligamentos útero-sacros, parede intestinal, bexiga e ureteres, o que explica a presença de sintomas intestinais e urinários cíclicos em muitos dos casos.

Diagnóstico difícil

Como as lesões ficam abaixo da superfície peritoneal, o exame físico pode ser normal e a detecção depende de ultrassom transvaginal com operador experiente ou ressonância magnética para mapeamento das lesões profundas.

A confirmação histológica tradicionalmente é feita por laparoscopia, embora as diretrizes atuais valorizem o diagnóstico clínico e por imagem para iniciar o manejo.

Principais sintomas que indicam a endometriose profunda

Os sintomas variam, mas a dor pélvica e cíclica é o sinal-guia. Quando há infiltração de intestino, bexiga ou ureteres, os sintomas costumam piorar no período menstrual e ganhar características “orgânicas”, como dor ao evacuar ou urinar. Veja, abaixo, os sintomas mais comuns:

  • Dismenorreia (cólicas fortes), responsáveis por interferir nas atividades diárias e com piora com o tempo.
  • Dor pélvica crônica, nem sempre limitada ao período menstrual, e dor à relação sexual profunda, especialmente quando há acometimento de septo reto-vaginal e ligamentos útero-sacros.
  • Sintomas intestinais cíclicos, como dor para evacuar, sensação de evacuação incompleta, constipação alternada com diarreia e, ocasionalmente, sangramento retal durante a menstruação quando o intestino está envolvido.
  • Sintomas urinários cíclicos, como dor ou queimação para urinar, urgência miccional e, raramente, sangue na urina durante a menstruação, sugerindo infiltração de bexiga ou ureteres.
  • Infertilidade ou dificuldade para engravidar, presente em parcela das mulheres com endometriose.

De acordo com a OMS, cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva possuem endometriose. No Brasil, as mulheres são 51,5% da população, cenário que reforça cada vez mais a necessidade de diminuir o impacto de dor e infertilidade.

Métodos diagnósticos mais utilizados

O diagnóstico da endometriose profunda exige exames de alta precisão, já que a doença pode afetar órgãos pélvicos e comprometer intestino, bexiga e até estruturas nervosas. 

Por isso, a escolha dos métodos depende dos sintomas e da suspeita clínica levantada por um especialista. Atualmente, os exames de imagem avançados são considerados essenciais para uma investigação adequada.

Ressonância magnética

A ressonância magnética é um dos exames mais indicados para detectar a endometriose profunda, pois permite avaliar a extensão das lesões, sua localização e possíveis acometimentos de órgãos adjacentes. 

Estudos publicados no National Institutes of Health (NIH) mostram que a acurácia da ressonância pode superar 85% em casos de infiltração profunda.

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Este exame é amplamente utilizado no rastreio da endometriose, especialmente quando há suspeita de comprometimento intestinal. O preparo intestinal possibilita melhor visualização das alças e do reto, aumentando a precisão diagnóstica.

De acordo com pesquisa publicada no PubMed, o ultrassom transvaginal pode alcançar sensibilidade de até 90% para identificar nódulos de endometriose profunda.

Exames complementares

Além dos métodos de imagem, alguns exames laboratoriais podem auxiliar na investigação, embora não confirmem sozinhos o diagnóstico. O marcador tumoral CA-125, por exemplo, pode estar elevado em mulheres com a doença, mas não é específico.

Opções de tratamento clínico disponíveis

O tratamento clínico é geralmente a primeira etapa no manejo da endometriose profunda, principalmente quando os sintomas são controláveis e não há comprometimento grave de órgãos. Entre as principais abordagens, estão:

  • Terapia hormonal: anticoncepcionais orais combinados, implantes hormonais e agonistas de GnRH podem reduzir ou bloquear a menstruação, aliviando a dor e retardando a progressão da doença.
  • Analgésicos: anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, podem ser prescritos para o alívio da dor pélvica.

É importante ressaltar que o tratamento clínico não elimina completamente as lesões de endometriose profunda, mas pode ser fundamental para manter os sintomas sob controle e retardar a necessidade de cirurgia.

Tratamento cirúrgico: quando é indicado e quais os benefícios

Quando a endometriose profunda compromete órgãos vitais, provoca dor incapacitante ou interfere na fertilidade, a cirurgia se torna a opção mais eficaz. O objetivo é remover os focos de forma precisa, preservando ao máximo as funções reprodutivas e a qualidade de vida da paciente.

Cirurgia minimamente invasiva

A cirurgia laparoscópica e, mais recentemente, a cirurgia robótica, são consideradas padrão-ouro no tratamento da endometriose profunda. Essas técnicas permitem melhor visualização da cavidade pélvica, maior precisão na remoção dos nódulos e recuperação mais rápida.

Estudos mostram que a cirurgia laparoscópica proporcionou uma redução significativa da dor e melhorias na qualidade de vida em mulheres com endometriose, comparada ao tratamento tradicional. Pacientes submetidas ao procedimento também apresentaram menor tempo de internação e menor sangramento.

A importância do acompanhamento multidisciplinar

A endometriose profunda é uma condição complexa que frequentemente exige cuidados de diferentes especialidades médicas. Além do ginecologista, podem ser necessários:

  • Proctologista, quando há acometimento intestinal.
  • Urologista, em casos de infiltração da bexiga ou ureteres.
  • Nutricionista, para orientação alimentar que auxilie no controle da inflamação e sintomas digestivos.
  • Psicólogo ou psiquiatra, já que a dor crônica pode impactar a saúde mental e a qualidade de vida da paciente.

O acompanhamento multidisciplinar garante uma abordagem integral, oferecendo diagnóstico mais preciso, plano de tratamento personalizado e suporte contínuo à paciente.Na Endometriose Brasília, esse modelo de cuidado é um dos grandes diferenciais. A clínica reúne profissionais especializados em diagnóstico avançado e tratamento personalizado. Se você apresenta sintomas compatíveis com endometriose profunda, não adie sua avaliação. Agende sua consulta com um especialista aqui!